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Estudando para se aperfeiçoar

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Livro Didático X Letramento Digital

O Livro Didático como agente de Letramento Digital
(Carla Coscarelli / Else Martins dos Santos)


            Nesse trabalho, as autoras nos levam a refletir sobre a importância do Livro Didático (LD) no processo de Letramento Digital. Elas iniciam dizendo que atualmente, viver sem computador leva a uma exclusão da sociedade digital. É muito perceptível atualmente que a criança que acessa a internet em suas diversas possibilidades, certamente será diferente daquela não faz tais acessos.
            Ler e escrever no computador leva o usuário a conceber uma forma diferente de ver a escrita (possibilidades de modificar facilmente um texto quando está digitando) e a leitura (navegação em sites de leitura). Ou seja, a informática representa a revolução em relação à leitura e à escrita.
            Diante dessa evolução vivida pelo mundo hoje, o computador não pode ser considerado um vilão que prejudica o processo de escrita, dificulta a leitura e desorienta os usuários, pois a informática e, sobretudo a internet, criaram e criam, novos gêneros textuais, novas formas para gêneros já conhecidos.
            Coscarelli e Santos relatam que o LD tem sido uma das principais fontes de consulta dos professores brasileiros. Desde 1960 estudos vinham denunciando a baixa qualidades dos LDs, apresentando problemas conceituais e metodológicos e certa carga discriminatória. Diante dessa realidade, surgiu o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que tinha como objetivo, estabelecer critérios cuidadosamente pensados que serviriam para nortear a análise da qualidade do LD.
             Nos critérios do PNLD não há nada que force explicitamente a entrada de novas tecnologias nos LDs, mas traz elementos relacionados a elas. Tais elementos podem ser tidos como fatores responsáveis pelo aparecimento de novas tecnologias no LD. Diante dos critérios estabelecidos, autores e editores começaram a dar um ar de modernidade às suas produções, trazendo, algumas vezes, linguagens, formatações, letras e símbolos comuns na internet. Em seguida, passaram a inserir nos LD textos retirados da internet, ou seja, alguns autores fazem da rede uma fonte de consulta.
            O passo seguinte foi a inserção de análise dos gêneros típicos do ambiente digital, porém, este trabalho ainda está muito focado no simples reconhecimento classificatório de cada gênero, não atribuindo forma muito efetiva para o letramento digital dos alunos.
            Ainda de acordo com as autoras, outra característica da internet já existente nos LDs, é a indicação de sites educacionais como sugestão de apoio pedagógico, o que vem alertar o professor para a necessidade de Letramento Digital para que tenha condições de orientar melhor seu aluno.
            Alguns LDs fazem comparação entre gêneros digitais e gêneros impressos, exploração esta que leva o aluno a perceber semelhanças e diferenças entre eles e o leva a perceber os diferentes suportes, bem como a conhecer as modificações que os gêneros sofrem para se adaptar às exigências do meio pelo qual será veiculado.
            A presença de elementos do mundo digital no LD revela que ele tem se preocupado com a inserção do aluno nesse universo, contribuindo assim para o Letramento Digital, realidade esta que pode ser considerada como um começo de uma ação que vai fazer história. Ante a tudo isso, o LD deve encorajar e ajudar o professor a usar os materiais digitais e a conhecer melhor esse universo e mostrar que ele pode fazer parte das aulas.

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